"O ano de 1985 foi declarado pela Organização das Nações Unidas – ONU
como Ano Internacional da Juventude. Neste mesmo ano aconteceu o
Encontro Mundial de Jovens, em Roma, na praça São Pedro, no Domingo de
Ramos (3 de abril). O papa dedicou uma Carta Apostólica aos jovens e às
jovens do mundo (31 de março de 1985) e, depois, anunciou a instituição
da Jornada Mundial da Juventude (20 de dezembro de 1985). Desde então,
acontecem dois tipos de concentrações: a Jornada Mundial da Juventude,
num ano e, no outro ano, no Domingo de Ramos, o Dia Mundial da Juventude
acontecendo nas dioceses. " (Rodapé do Documento 85 CNBB -
Evangelização da Juventude).
Para esse ano o Papa Bento XVI escolheu o tema "Alegrai-vos sempre no Senhor" (Fl 4,4). E mandou sua mensagem para os jovens de todo o mundo referente a esse maravilhoso momento:
Mensagem do Papa ao 27º Dia Mundial da Juventude
Boletim
da Santa Sé
(Tradução
de Nicole Melhado - equipe CN Notícias)
XXVII Dia Mundial da Juventude
«Alegrai-vos sempre no Senhor!» (Fil
4,4)
Queridos
jovens,
Fico
feliz em dirigir-me novamente a vocês, em ocasião do XXVII Dia Mundial da
Juventude. A recordação do encontro em Madri, em agosto passado, permanece
muito presente no meu coração. Foi um extraordinário momento de graça, no qual
o Senhor abençoou os jovens presentes, vindos do mundo inteiro. Dou graças a
Deus por tantos frutos que fez nascer naqueles dias e que no futuro não
deixaram de multiplicar-se para os jovens e para as comunidades as quais
pertencem. Agora, estamos já nos orientando para o próximo encontro no Rio de
Janeiro, em 2013, que terá como tema “Ide, pois, fazei discípulos entre todas
as nações!” (Mt 28, 19).
Este
ano, o tema do Dia Mundial da Juventude nos é dado de uma exortação da Carta de
São Paulo apóstolo aos Filipenses: “Alegrai-vos sempre no Senhor!” (4,4). A
alegria, de fato, é um elemento central da experiência cristã. Também durante
cada Jornada Mundial da Juventude fazemos a experiência de uma alegria intensa,
a alegria da comunhão, a alegria de ser cristãos, a alegria da fé. Esta é uma
das características destes encontros. E vemos a grande força atrativa que essa
tem: num mundo muitas vezes marcado pela tristeza e inquietude, é um testemunho
importante da beleza e da confiabilidade da fé cristã.
A
Igreja tem a vocação de levar ao mundo a alegria, a alegria autêntica e
duradoura, aquela que os anjos anunciaram aos pastores de Belém na noite do
nascimento de Jesus (cfr Lc 2,10): Deus não só falou, não só realizou prodígios
na história da humanidade, mas Deus se fez próximo, fazendo-se um de nós e
percorreu todas as etapas da vida do homem.
No
difícil contexto atual, tantos jovens em torno a nós têm uma grande necessidade
de sentir que a mensagem cristã é uma mensagem de alegria e de esperança!
Gostaria de refletir com vocês, então, sobre as estradas para encontrá-la, a
fim que possam vivê-la sempre mais em profundidade e que vocês possam ser
mensageiros entre aqueles que estão a sua volta.
1. O nosso coração é feito para a alegria
A
inspiração à alegria está impressa no intimo do ser humano. Além da satisfação
imediata e passageira, o nosso coração busca a alegria profunda, plena e
duradoura, que pode dar ‘sabor’ à existência. E aquilo que vale, sobretudo,
para vocês, para a juventude é um período de continua descoberta da vida, do
mundo, dos outros e de si mesmos. É um tempo de abertura em direção ao futuro,
no qual se manifestam os grandes desejos de felicidade, de amizade, de partilha
e de verdade, no qual si é movido por ideais e se concebem projetos.
E
cada dia são tantas as alegrias simples que o Senhor nos oferece: a alegria de
viver, a alegria diante da beleza da natureza, a alegria de um trabalho bem
feito, a alegria do serviço, a alegria do amor sincero e puro. E se olhamos com
atenção, existem tantos motivos de alegria: os belos momentos de vida familiar,
a amizade partilhada, a descoberta das próprias capacidades pessoais e o
alcance de bons resultados, o apreço por parte de outros, a possibilidade de
expressar-se e de sentir-se capaz, a sensação de ser úteis ao próximo. E
depois, a conquista de novos conhecimentos mediante os estudos, a descoberta de
novas dimensões por meio de viagens e encontros, a possibilidade de fazer
projetos futuros. Mas também a experiência de ler uma obra literária, de
admirar um grande trabalho de arte, de escutar e tocar música ou de ver um
filme podem produzir em nós verdadeiras alegrias.
Cada
dia, porém, nos deparamos também com tantas dificuldades e nos corações existem
preocupações para com o futuro, ao ponto que podemos nos perguntar se a alegria
plena e duradoura a qual aspiramos não é talvez uma ilusão e uma fuga da
realidade. São muitos os jovens que se interrogam: é realmente possível a
alegria plena nos dias de hoje? E esta busca percorre várias estradas, algumas
das quais se revelam erradas ou pelo menos perigosas. Mas como distinguir as
alegrias realmente duradouras dos prazeres imediatos e enganosos? Como
encontrar a verdadeira alegria na vida, aquela que dura e não nos abandona
também nos momentos difíceis?
2. Deus é a fonte da verdadeira
alegria
Na
realidade as alegrias autênticas, aquelas pequenas do cotidiano ou aquelas
grandes da vida, encontram toda sua origem em Deus, mesmo se não parece à
primeira vista, porque Deus é comunhão de amor eterno, é alegria infinita que
não permanece fechada em si mesma, mas se expande naqueles que Ele ama e que o
amam. Deus nos criou à sua imagem por amor e para derramar sobre nós este Seu
amor, para encher-nos com sua presença e sua graça.
Deus
quer fazer-nos participantes de sua alegria, divina e eterna, fazendo-nos
descobrir que o valor e o sentido profundo da nossa vida está no ser aceito,
acolhido e amado por Ele, e não com uma acolhida frágil como pode ser aquela
humana, mas com um acolhimento incondicional como é aquela divina: eu sou
querido, tenho um lugar no mundo e na história, sou amado pessoalmente por
Deus. E se Deus me aceita, me ama e eu me torno seguro, sei de modo claro e
certo que é bom que eu seja, que exista.
Este
amor infinito de Deus por cada um de nós se manifesta de modo pleno em Jesus
Cristo. Nele se encontra a alegria que buscamos. No Evangelho, vemos como os
eventos que marcam o início da vida de Jesus são caracterizados pela alegria.
Quando o anjo Gabriel anuncia à Virgem Maria que será mãe do Salvador, inicia
com esta palavra: “Alegra-te” (Lc 1,28). No nascimento de Jesus, o anjo do
Senhor diz aos pastores: “Eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria
para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é Cristo
Senhor” (Lc 2,11).
E
os magos que procuravam o menino, “a aparição daquela estrela se encheram de
profunda alegria” (Mt 2,10). O motivo desta alegria é, portanto, a aproximação
de Deus, que se fez um de nós. E é isto que queria dizer São Paulo quando
escreveu aos cristãos de Filipo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito:
alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está
próximo”. (Fil 4,4-5). A primeira causa da nossa alegria é a proximidade do
Senhor, que me acolhe e me ama.
E,
de fato, do encontro com Jesus nasce sempre uma grande alegria interior. Nos
Evangelhos podemos ver isso em muitos episódios. Recordamos a visita de Jesus a
Zaqueu, um cobrador de impostos desonesto, um público pecador, ao qual Jesus
diz: “é preciso que eu hoje fique em tua casa”. E Zaqueu, diz São Lucas, “recebeu-o
alegremente” (Lc 19,5-6). É a alegria do encontro com o Senhor; é o sentir o
amor de Deus que pode transformar toda a existência e levar a salvação. E
Zaqueu decide mudar de vida e dar a metade de seus bens aos pobres.
Na
hora da paixão de Jesus, este amor se manifesta em toda sua força. Nos últimos
momentos de sua vida terrena, na ceia com os seus amigos, Ele diz: “Como o pai
me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor... Disse-vos essas
coisas para que a minha alegria seja completa” (Jo 15,9.11). Jesus quer
introduzir seus discípulos cada um de nós na alegria plena, aquela que Ele
partilha com o Pai, porque o amor com o qual o Pai o ama esteja em nós (cfr. Jo
17,26). A alegria cristã é abrir-se a este amor de Deus e pertencer a Ele.
Narram
os Evangelhos que Maria Madalena e outras mulheres foram visitar a tumba onde
Jesus foi colocado depois de sua morte e receberam de um Anjo o anuncio
incrível, aquele de sua ressurreição. Então deixaram rapidamente o sepulcro,
escreve o evangelista, “com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria”
correram para dar boa notícia aos discípulos. E Jesus veio ao encontro deles e
disse: “Salve!” (Mt 28,8-9). É a alegria da salvação que é oferecida a eles:
Cristo vive, é Aquele que venceu o mal, o pecado e a morte. Ele está presente
em meio a nós como o Ressuscitado, até o fim do mundo (cfr Mt 28,20). O mal não
deu a última palavra sobre a nossa vida, mas a fé em Cristo Salvador nos diz
que o amor de Deus vence.
Esta
alegria profunda é o fruto do Espírito Santo que nos torna filhos de Deus
capazes de viver e de provar sua bondade, de voltar-nos a Ele com o termo
“Abbà”, Pai (cfr Rm 8,15). A alegria é sinal de sua presença e de sua ação em
nós.
3. Conservar no coração a alegria
cristã
Neste
ponto, nos perguntamos: como receber e conservar este dom da alegria profunda,
da alegria espiritual?
Um
Salmo nos diz: “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu
coração” (Sal 37,4). E Jesus explica que “o Reino dos céus é também semelhante
a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo.
E, cheio de alegria, vai vende tudo o que tem para comprar aquele campo” (Mt
13,44). Encontrar e conservar a alegria espiritual nasce do encontro com o
Senhor, que pede para segui-Lo, para fazer a escolha decisiva de voltar tudo
para Ele.
Queridos
jovens, não tenhais medo de colocar à disposição toda a vossa vida, dando
espaço para Jesus Cristo e seu Evangelho; é a estrada para haver a paz e a
verdadeira felicidade no íntimo de nós mesmos, é a estrada para a verdadeira
realização de nossa existência de filhos de Deus, criados à Sua imagem e
semelhança.
Busquem
a alegria no Senhor: a alegria da fé, é reconhecer cada dia sua presença, sua
amizade: “O Senhor está próximo!” (Fil 4,5); é colocar nossa confiança Nele, é
crescer no conhecimento e no amor Dele. O ‘Ano da fé’, que daqui alguns meses
iniciaremos, será para nós ajuda e estímulo. Queridos amigos, aprendam a ver
como Deus age em suas vidas, descubram-O escondido no coração dos acontecimentos
do seu cotidiano. Creiam que Ele é sempre fiel à aliança que fez convosco no
dia do vosso batismo. Saibam que não vos abandonará jamais. Volteis sempre o
olhar para Ele. Na Cruz, doou sua vida porque ama cada um de vocês.
A
contemplação de um amor assim grande leva aos nossos corações uma esperança e
uma alegria que nada pode abater. Um cristão não pode ser jamais triste porque
encontrou Cristo, que deu a vida por ele.
Buscar
o Senhor, encontrá-lo na vida, significa também acolher sua Palavra, que é
alegria para o coração. O profeta Jeremias escreve: “Vossa palavra constitui
minha alegria e as delícias do meu coração” (Jer 15,16). Aprender a ler e
meditar a Sagrada Escritura, ali encontra-se uma resposta às perguntas mais
profundas de verdade que brotam em vossos corações e em vossas mentes. A
palavra de Deus faz descobrir as maravilhas que Deus operou na história do
homem e, pleno de alegria, abre-se ao louvor e à adoração: “Cantai ao Senhor...
adoremos, de joelhos diante do Senhor que nos fez” (cfr Sal 95,1.6).
De
modo particular, a Liturgia é um lugar por excelência no qual se exprime a
alegria que a Igreja atinge do Senhor e transmite ao mundo. Cada domingo, na
Eucaristia, a comunidade cristã celebra o Mistério central da salvação: a morte
e ressurreição de Cristo. È este o momento fundamental para o caminho de cada
discípulo do Senhor, no qual se rende presente o seu Sacrifício de amor; é a
via na qual encontramos Cristo Ressuscitado, escutamos Sua Palavra, nos
nutrimos de seu Corpo e Seu Sangue.
Um
Salmo afirma: “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele
exultemos!” (Salmo 117, 24). E na noite de Páscoa, a Igreja canta o Exultet,
expressão de alegria pela vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte:
“Exulta o coro dos anjos... Alegra-se a terra inundada de tão grande
esplendor... e este templo todo ecoa para as proclamações do povo em festa!”. A
alegria cristã nasce da consciência de ser amado por um Deus que se fez homem,
que deu Sua vida por nós e venceu o mal e a morte; e é viver de amor para ele.
Santa Teresinha do Menino Jesus, jovem carmelita, escreveu: “Jesus, minha
alegria é amar-te!” (P. 45, 21 de janeiro de 1897, Op. Compl., pág. 708).
4. A alegria do amor
Queridos
amigos, a alegria é intimamente ligada ao amor: são dois frutos inseparáveis do
Espírito Santo (cfr Gal 5,23). O amor produz alegria, e a alegria é uma forma
de amor. A beata Madre Teresa de Calcutá, fazendo ecoar as palavras de Jesus:
“É maior felicidade dar que receber!” (At 20,35), dizia: “A alegria é uma rede
de amor para capturar almas. Deus ama quem dá com alegria. E quem dá com
alegria dá mais”. E o Servo de Deus Paulo VI escreveu: “Em Deus mesmo tudo é
alegria, pois tudo é dom” (Exort. ap. Gaudete in Domino, 9 de maio de 1975).
Pensando
aos vários ambientes da vida de vocês, gostaria de dizer-lhes que amar
significa constância, fidelidade, ter fé nos empenhos. E este, em primeiro
lugar, nas amizades: os nossos amigos esperam que sejamos sinceros, leais,
porque o verdadeiro amor é perseverante também e, sobretudo, nas dificuldades.
E o mesmo vale para o trabalho, os estudos e as atividades que desempenham. A
fidelidade e a perseverança no bem conduzem à alegria, mesmo que ela não seja
sempre imediata.
Para
entrar na alegria do amor, somos chamados também a ser generosos, a não nos
contentarmos em dar o mínimo, mas a empenhar-nos a fundo na vida, com uma
atenção especial para com os mais necessitados. O mundo necessita de homens e
mulheres competentes e generosos, que se colocam a serviço do bem comum.
Empenhem-se nos estudos com seriedade; compartilhem seus talentos e os coloquem
desde já a serviço do próximo. Busquem a maneira de contribuir para uma
sociedade mais justa e humana, onde vocês estiverem. Que toda sua vida seja
guiada pelo espírito do serviço, e não pela busca do poder, do sucesso material
e do dinheiro.
A
propósito da generosidade, não posso não mencionar uma alegria especial: aquela
que se encontra na resposta à vocação de dar toda a vida ao Senhor. Queridos
jovens, não tenham medo do chamado de Cristo para a vida religiosa, monástica,
missionária ou ao sacerdócio. Estejam certos que Ele enche de alegria aquele
que, dedicando a vida nesta perspectiva, responde ao seu envio deixando tudo
para permanecer com Ele e dedicar-se de coração inteiramente a serviço dos
outros. Do mesmo modo, grande é alegria que Ele reserva ao homem e à mulher que
se doa totalmente um ou outro em matrimônio para constituir uma família e
tornar-se sinal do amor de Cristo por sua Igreja.
Quero
destacar novamente um terceiro elemento para entrar na alegria do amor: fazer
crescer em suas vidas e na vida de suas comunidades a comunhão fraterna. Existe
uma estreita ligação entre a comunhão e a alegria. Não é por acaso que São
Paulo escreve sua exortação no plural: não se dirige a cada um singularmente,
mas afirma: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fil 4,4). Somente juntos, vivendo a
comunhão fraterna, podemos experimentar esta alegria. O livro dos Atos dos
Apóstolos descreve assim a primeira comunidade cristã: “Partiam o pão nas casas
e tomavam a comida com alegria e simplicidade de coração” (At 2,46). Empenhem-se vocês também a fim que as
comunidades cristãs possam ser lugares privilegiados de partilha, de atenção e
de cuidado um com o outro.
5. A alegria da partilha
Queridos
amigos, para viver a verdadeira alegria é preciso também identificar com
atenção quem está longe. A cultura atual induz muitas vezes a buscar objetivos,
realizações e prazeres imediatos, favorecendo mais o inconstante que a
perseverança no cansaço e a fidelidade aos empenhos.
As
mensagem que vocês recebem impulsionam-lhes a entrar na lógica do consumo,
provendo uma felicidade artificial. A experiência ensina que ter não coincide
com a alegria: existem tantas pessoas que, mesmo tendo tantos bem materiais em
abundância, estão sempre assombradas pelo desespero, pela tristeza e sentem um
vazio na vida. Para permanecer na alegria, somos chamados a viver no amor e na
verdade, a viver em Deus.
E
a vontade de Deus é que nós sejamos felizes. Por isso, nos foram dadas
indicações concretas para o nosso caminho: os Mandamentos. Observando-os, nós
encontramos a estrada da vida e da felicidade. Mesmo que à primeira vista possa
parecer um conjunto de proibições, quase um obstáculo à liberdade, se os meditamos
mais atentamente, à luz da Mensagem de Cristo, estes são um conjunto de
essenciais e preciosas regras de vida que conduzem a uma existência feliz,
realizada segundo o projeto de Deus.
Quantas
vezes, ao contrário, constamos que construir a vida ignorando Deus e Sua
vontade leva à desilusão, tristeza, sensação de derrota. A experiência do
pecado, como a recusa a segui-Lo, como uma ofensa à sua amizade, traz sombra
aos nossos corações.
Mas
se às vezes o caminho cristão não é fácil e o empenho de fidelidade ao amor do
Senhor encontra obstáculos ou registra quedas, Deus, em sua misericórdia, não
nos abandona, mas nos oferece sempre a possibilidade de retornar a Ele, de nos
reconciliarmos com Ele, de experimentarmos a alegria do Seu amor que perdoa e acolhe
novamente.
Queridos
jovens, recorram sempre ao Sacramento da Penitência e da Reconciliação! Este é
o Sacramento da alegria reencontrada. Peçam ao Espírito Santo a luz para saber
reconhecer seus pecados e a capacidade de pedir perdão a Deus, recebendo este
Sacramento com freqüência, serenidade e confiança. O Senhor abre sempre Seus
braços a vocês, vos purificará e vos fará entrar em Sua alegria: Haverá alegria
no céu mesmo que por um só pecador que se converte (cfr Lc 15,7).
6. A alegria nas provas
Por
fim, porém, poderá permanecer em nosso coração a pergunta se realmente é
possível viver na alegria mesmo em meio a tantas provas da vida, especialmente
as mais dolorosas e misteriosas, se realmente seguir o Senhor, confiar-nos a
Ele, temos sempre felicidade.
A
resposta pode vir-nos de algumas experiências de jovens como vocês que
encontraram justamente em Cristo a luz capaz de dar força e esperança, mesmo em
meio às situações mais difíceis. O beato Pier Giorgio Frassati (1901-1925)
experimentou tantas provas em sua breve existência, entre elas, uma relacionada
à sua vida sentimental, que o feriu de maneira profunda. Justamente esta
situação, escreve a sua irmã: “Você me pergunta se estou alegre; e como não
poderia ser? A fé me dará sempre força para ser alegre! Todo católico não pode
não ser alegre... A finalidade para a qual fomos criados nos mostra que o
caminho está repleto de muitos espinhos, mas não um caminho triste: esse é a
alegria mesmo em meio às dores” (Carta à irmã Luciana, Torino, 14 de fevereiro
de 1925). E o beato João Paulo II, apresentando-o como modelo, dizia dele: “era
um jovem de uma alegria contagiante, uma alegria que superava tantas
dificuldades de sua vida” (Discurso aos jovens, Torino, 13 de abril de 1980).
Mais
próxima a nós, a jovem Chiara Badano (1971-1990), recentemente beatificada,
experimentou como a dor pode ser transfigurada pelo amor e ser misteriosamente
habitada pela alegria. Aos 18 anos de idade, num momento em que o câncer a
fazia particularmente sofrer, Chiara rezou para que o Espírito Santo
intercedesse pelos jovens de seu Movimento [Movimento dos Focolares]. Antes de
sua cura, pediu a Deus que iluminasse com Seu Espírito todos aqueles jovens,
dando a eles a sabedoria e a luz: “Foi mesmo um momento de Deus: sofria muito
fisicamente, mas a alma cantava” (Carta de Chiara Lubich, Sassello, 20 de
dezembro de 1989). A chave de sua paz e sua alegria era a completa confiança no
Senhor e a aceitação também de sua doença como misteriosa expressão de Sua
vontade para o seu bem e de todos. Repetia sempre: “Se você quer, Jesus, eu
também quero”.
São
duas simples testemunham entre tantas que mostraram como o cristão autêntico
não é nunca desesperado e triste, mesmo diante das provas mais duras e mostram
que a alegria cristã não é uma fuga da realidade, mas uma força sobrenatural
para enfrentar e viver as dificuldades cotidianas. Sabemos que Cristo
crucificado e ressuscitado está conosco, é o amigo sempre fiel. Quando
participamos de seus sofrimentos, participamos também de suas alegrias, Com Ele
e Nele, o sofrimento é transformado em amor. E lá se encontra a alegria (cfr
Col 1,24).
7. Testemunhas da alegria
Queridos
amigos, para concluir, gostaria de exortar-lhes a serem missionários da
alegria. Não se pode ser feliz se os outros não são: a alegria, portanto, deve
ser compartilhada. Vão e contem aos outros jovens a alegria de vocês por terem
encontrado aquele tesouro precioso que é o próprio Jesus. Não podemos guardar
para nós a alegria da fé: para que esta possa permanecer conosco, devemos
transmiti-la. São João afirma: “O que vimos e ouvimos, isso nós anunciamos,
para que também tenhais comunhão conosco... Estas coisas vos escrevemos, para
que o vossa alegria seja plena. (1Jo 1,3-4).
Muitas
vezes é descrita uma imagem do cristianismo como de uma proposta de vida que
oprime a nossa liberdade, que vai contra nosso desejo de felicidade e de
alegria. Mas esta não corresponde à verdade! Os cristãos são homens e mulheres
realmente felizes porque sabem que nunca estão sozinhos, mas estão sempre
apoiados pelas mãos de Deus! Cabem, sobretudo, a vocês, jovens discípulos de
Cristo, mostrar ao mundo que a fé leva a uma felicidade e a uma alegria
verdadeira, plena e duradoura. E se o modo de viver dos cristãos parece às
vezes cansativo e chato, testemunhem vocês por primeiro a alegria e a
felicidade da fé de vocês. O Evangelho é a boa nova que Deus nos ama e que cada
um de nós é importante para Ele. Mostrem ao mundo que é mesmo assim!
Sejam,
portanto, missionários entusiasmados pela nova evangelização! Levem àqueles que
sofrem, àqueles que buscam, a alegria que Jesus quer doar. Levem-na para suas
famílias, em suas escolas e universidades, nos lugares de trabalho e nos grupos
de amigos, lá onde vivem. Vocês verão que essa é contagiosa. E receberam o
cêntuplo: a alegria da salvação para vocês mesmos, a alegria de ver a
Misericórdia de Deus operando nos corações.
No
dia do seu encontro definitivo com o Senhor, ele poderá lhe dizer: “Servo bom e
fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com
teu Senhor!” (Mt 25,21).
A
Virgem Maria vos acompanha neste caminho. Ela acolheu o Senhor dentro de si e anunciou
com um canto de louvor e de alegria, o Magnificat: “Minha alma glorifica o
Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46-47).
Maria respondeu plenamente ao amor de Deus dedicando sua vida a Ele num serviço
humilde e total. É chamada de “a causa da nossa alegria”, porque ela nos deu
Jesus. Que Ela vos introduza nesta alegria que ninguém vos poderá tirar!

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